
Na foto, o registro do encontro, há quase 20 anos. Ao centro, a jornalista Edna Della Nina, por testemunha.
Luíza
Conheci muitas Luízas em minha vida. Hoje encontrei uma das que mais me marcou. Foi no corredor das comissões da Câmara Federal.
Luíza Erundina. Ela caminhava a passos lentos. Algo solene, como se tudo em volta – a correria da vida, as incertezas, dessem um tempo para ela passar. Não me contive e interrompi a caminhada dela.Puxei da minha pasta uma foto antiga em que eu e ela aparecíamos.
Um registro de 17 anos atrás. Era 1992. Ela, em seu último ano de prefeita de São Paulo. Eu, secretário de Comunicação do prefeito de Campo Grande/MS, Lúdio Coelho. Ela gostou da lembrança. Recordou detalhes daquela época e perguntou muito pelo “seo” Lúdio. Eu lhe disse, ao final, que estava feliz com o encontro.
Quando nos despedíamos informei a ela o compromisso que fiz de depositar uma pequena quantia na conta aberta em nome dela para ajudar a livrá-la de uma dívida, fruto de uma condenação da época em que ainda era prefeita. O anúncio da condenação trouxe a público um drama que comoveu o Congresso e de certa forma, o país. Para pagar a conta, Luíza já penhorou o que tinha de bens: Um apartamento e dois carros. E a conta não fecha.
Ela foi condenada porque não fugiu, não lançou mão de chicanas jurídicas, porque assumiu suas responsabilidades. Num país com tantos maus exemplos de políticos, não faz sentido deixar que ela pague sozinha essa conta.
Justo ela, a Luíza que nunca perdeu a altivez e a dignidade.
